Como pode uma cidade ser tão prejudicada pela chuva?
Fiquei chocada com as imagens de São Paulo esta semana.
Lembrei da sensação de estar lá, parada na marginal, em uma das primeiras vezes que fui sozinha, e o tempo começando a fechar com o trânsito quase congelado... Também teve outra vez que o motor do Santana bordô começou a esquentar no caminho para o médico da minha mãe. Tudo parado. Não tinha para onde fugir.
Fico pensando se Londres fosse prejudicada pela chuva que cai quase o ano todo... Não muda tanta coisa porque o transporte é feito pelo tube.
Como fazem as mães em trabalho de parto, paradas na avenida Paulista, em plena sexta-feira... Imagino que seja quase impossível passar, no horário do almoço, para dar um abraço em um amigo que está com problemas. Para ter o mínimo de tranqüilidade, precisa-se morar, trabalhar, malhar, comprar e namorar no mesmo bairro.
Apesar de sempre ter tido sorte nas minhas idas à capital, São Paulo me deixa impotente. Meu conhecimento é absurdamente limitado a uma pequena fatia, fato que, certa vez, me deixou na saia justa, já que a ponte Eusébio Matoso estava interditada e eu não sabia entrar na capital! Eu sei que logo depois vem a Cidade Jardim etc etc, mas eu me sinto tão segura entrando pela Eusébio Matoso...
Quando morei lá, ainda uma meninota, tive um ano difícil em um pensionato enorme. Fui roubada lá dentro e ao lado do MASP. Acabei me relacionando pouco com a cidade, já que o vestibular me trouxe de volta para Bauru. Mas não saí com raiva da cidade. Fui embora olhando para trás, como se soubesse que inevitavelmente poderia voltar.
São Paulo mexe com a minha segurança/insegurança. Me sinto forte quando estou lá dentro. É bom ser anônima. É incrível ver pessoas tão diferentes zanzando nas mesmas ruas, de judeus ortodoxos a hare krishnas. É inebriante se sentir aprendendo o tempo todo naquela combustão que é visível e acessível. Mas essa força só acontece quando avisto o prédio da Editora Abril, faço a curvinha para sair na marginal e entrar de vez na fortaleza urbana.
(Man)tenho minha fascinação, mas sinto pena de São Paulo. É estruturalmente problemática. Falta parque. Sobra carros de uma pessoa só. As motos assustam e, sinceramente, outdoor ou pichação é o de menos...
São Paulo é meu caos e meu desejo.
É “avesso do avesso do avesso do avesso” de mim.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
missing him...
Fez dois anos que ele se foi.
Parece muito, parece que foi ontem, parece que ainda não aconteceu.
Quando estamos lá, na piscina, alguns barulhos me fazem pensar que ele vai entrar com seu carro, beijar nossa testa, comentar nossa cor de esmalte, oferecer alguma coisa, rir com a gente, demonstrar alguma insatisfação sobre uma notícia, ser sincero e gentil ao mesmo tempo...
Flávio era assim.
Intenso, sempre estava apaixonado por alguma coisa: um texto, uma idéia, uma palestra, uma festa, um projeto. E gostava de dividir tudo comigo, ouvir minha opinião... Nós conversávamos muito.
Ele foi literalmente um step-father para mim: me aconselhou, me ajudou, me apoiou tantas vezes, brigava comigo, fazia as pazes comigo, foi meu fiador, me abraçava como ninguém...
Com certeza, era mais que um “tio”; era praticamente um pai.
Aí, veio o jornal, e ele virou meu diretor. Que luxo ter o de Angelis todo dia ali, tentando nos proteger em tantas situações adversas de uma redação diária. Mesmo nos plantões, nos domingos à tarde, ele passava por lá fazendo sua caminhada. Vinha no canto da minha mesa e perguntava: “Está tudo bem? Vocês precisam de alguma coisa? Já estão fechando? Você almoçou?”.
Era o chefe de coração grande, de várias reuniões, que emprestava seu carro para nossas reportagens urgentes e que efetivamente lia o jornal; era transparente, escorpião, sincero, brigão e nos respeitava como ninguém.
Éramos uma família ali, mas ele já era a minha há muito tempo.
Hoje, chorei a saudade dele na minha vida.
Em um mundo de tantas pessoas descartáveis e não-recicláveis, tem gente que é, sim, insubstituível.
Parece muito, parece que foi ontem, parece que ainda não aconteceu.
Quando estamos lá, na piscina, alguns barulhos me fazem pensar que ele vai entrar com seu carro, beijar nossa testa, comentar nossa cor de esmalte, oferecer alguma coisa, rir com a gente, demonstrar alguma insatisfação sobre uma notícia, ser sincero e gentil ao mesmo tempo...
Flávio era assim.
Intenso, sempre estava apaixonado por alguma coisa: um texto, uma idéia, uma palestra, uma festa, um projeto. E gostava de dividir tudo comigo, ouvir minha opinião... Nós conversávamos muito.
Ele foi literalmente um step-father para mim: me aconselhou, me ajudou, me apoiou tantas vezes, brigava comigo, fazia as pazes comigo, foi meu fiador, me abraçava como ninguém...
Com certeza, era mais que um “tio”; era praticamente um pai.
Aí, veio o jornal, e ele virou meu diretor. Que luxo ter o de Angelis todo dia ali, tentando nos proteger em tantas situações adversas de uma redação diária. Mesmo nos plantões, nos domingos à tarde, ele passava por lá fazendo sua caminhada. Vinha no canto da minha mesa e perguntava: “Está tudo bem? Vocês precisam de alguma coisa? Já estão fechando? Você almoçou?”.
Era o chefe de coração grande, de várias reuniões, que emprestava seu carro para nossas reportagens urgentes e que efetivamente lia o jornal; era transparente, escorpião, sincero, brigão e nos respeitava como ninguém.
Éramos uma família ali, mas ele já era a minha há muito tempo.
Hoje, chorei a saudade dele na minha vida.
Em um mundo de tantas pessoas descartáveis e não-recicláveis, tem gente que é, sim, insubstituível.
sábado, 24 de janeiro de 2009
Livre-arbítrio?
Querem que você viva a vida que escolheram.
Esperam que você faça sempre o mais conveniente. Conveniente para eles.
Mesmo quando superadas as suas próprias expectativas, você vê que nunca vai atingir as metas que os outros impuseram para ti.
Seu caminho se confunde com o dos outros.
Se você fica firme no seu propósito, parece um alien.
Se, por acaso, acaba cedendo em demasia, perde sua própria voz.
Na Vila de Santa Thereza, ninguém pode ser só.
Nem só ser.
Deve-se servir e vir e sorrir e fazer e atender sem nem pestanejar.
Assim que você vai desempenhar um pedido, chega mais um, chega a reclamação, chega a teimosia do outro que não encontra lugar em você.
Sua individualidade se foi, e o que te resta é o altruísmo que já nem traz mais prazer. A própria dor, o próprio eu, evapora. Transforma-se em meia dúzia de purpurinas que não conseguem iluminar nada.
É justo cobrar o que não se dá?
É possível equalizar?
Deve ser por isso que há tanto se prega que Deus deve ser nosso centro.
Porque quando o ser humano se acha no ponto mais importante do universo, prejudica não apenas ele próprio, mas principalmente o mundinho que o circula, a atmosfera toda, as energias circulantes, o céu... e Deus, que não aguenta nos ver tão amarrados, vira a cara, fica de mal, te bota na geladeira...
Quem sabe da própria vez.
Esperam que você faça sempre o mais conveniente. Conveniente para eles.
Mesmo quando superadas as suas próprias expectativas, você vê que nunca vai atingir as metas que os outros impuseram para ti.
Seu caminho se confunde com o dos outros.
Se você fica firme no seu propósito, parece um alien.
Se, por acaso, acaba cedendo em demasia, perde sua própria voz.
Na Vila de Santa Thereza, ninguém pode ser só.
Nem só ser.
Deve-se servir e vir e sorrir e fazer e atender sem nem pestanejar.
Assim que você vai desempenhar um pedido, chega mais um, chega a reclamação, chega a teimosia do outro que não encontra lugar em você.
Sua individualidade se foi, e o que te resta é o altruísmo que já nem traz mais prazer. A própria dor, o próprio eu, evapora. Transforma-se em meia dúzia de purpurinas que não conseguem iluminar nada.
É justo cobrar o que não se dá?
É possível equalizar?
Deve ser por isso que há tanto se prega que Deus deve ser nosso centro.
Porque quando o ser humano se acha no ponto mais importante do universo, prejudica não apenas ele próprio, mas principalmente o mundinho que o circula, a atmosfera toda, as energias circulantes, o céu... e Deus, que não aguenta nos ver tão amarrados, vira a cara, fica de mal, te bota na geladeira...
Quem sabe da própria vez.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
A saga do bolo perdido
Não sou muito boa em organizar eventos. É uma limitação recorrente da minha vida. Se alguém me der uma tarefa com prazo, eu cumpro, mas montar uma festa nunca foi meu forte. E o mais engraçado é que, depois de uma certa idade, a mulher começa a ter essa conseqüência da vida adulta: organizar o chá-de-bebê da irmã, o chá-bar dos amigos, o chá-de-cozinha da prima, a festa do chefe, da amiga, do marido, dos filhos...
Eu me acomodei na situação de não-organizadora-de-nada porque a Paola sempre assumiu, com distinção, as festas desses últimos 20 anos. Ela pensa em tudo e ainda lembra de tirar as fotos que vai nos felicitar depois. Mas sexta-feira foi o dia dela, do aniversário dela, que há tempos na comemorávamos properly.
Pazinha programou uma parte: reservou o melhor espaço em uma casa noturna que ia receber uma boa banda, chamou todos os queridos e levou docinhos artesanais para nos deliciar. Mas Laura, Karina e eu resolvemos assumir o papel da aniversariante e comprovar a tese dela: não há aniversário sem bexiga e bolo. A semana toda foi de troca de telefonemas entre las tres amigas... Mas a saga começou mesmo na sexta.
16h30 fui comprar as bexigas. Optei pelas brancas com bolinhas pretas. Achei tão elegante quanto a aniversariante de 35 anos. Na seqüência, desci para buscar o bolo e já deixá-lo na geladeira da casa noturna, conversando ao celular com a Karina, que tinha um lugar para encher os balões para a gente. Eu não levo nenhum jeito para a coisa...
Fui ao bifê da tia da Ká e saí de lá com o carro lotado de bexigas rumo ao local da festa. Eram apenas cinco quadras, mas aquele pequeno trajeto foi uma doideira. Primeiro porque não dá para ver muita coisa com um monte de bolas brancas comprimidas nos vidros. Depois, um balão estourou e eu quase bati o carro de susto! Aí, vi um carro igualzinho ao da Paola e queria morrer... Sentimento de quem está fazendo uma coisa escondido...
Ufa! Cheguei ao local e protagonizei uma cena de filme francês: desci do carro com um cordão cheio de bexigas amarradas voando nos céus de Bauru. Atravessei a rua saltitante!
Tive sorte: a banda estava “passando o som”... Fiquei lá, dançando U2, a Ká chegou e me ajudou a prender as bexigas. Mas, entre uma regulagem e outra do amplificador, algumas estouraram. Voltei para casa com medo de que, mais tarde, não tivesse nenhuma sobrevivente. Pior: ter apenas duas, como se fosse final de festa!
Felizmente, deu tudo mais do que certo. A Pá, quando chegou, não acreditou que era para ela. Ficou super feliz e nem ligou que os balões petit-pois se tornaram, quando cheios, bexigas com estampa de “dálmata”. Foi o comentário da noite, já que nossa amiga não é fã de cachorros.
Aí começou a saga do bolo. Como sei da minha limitação e falta de experiência no assunto, avisei Dani Guedes, Giuliano e Giovana para me lembrarem de pedir o bolo na hora certa que, obviamente, eu não saberia qual era.
Mas o momento chegou quando Biba e Pará, queridíssimos, precisaram ir embora. Pronto: baixou a party planner em mim e saí para buscar o bolo. Não havia garçom à vista e a casa estava lotada... Entre muitas lutas corporais, alguns pisões no pé, avistei o bar. Assim que consegui milagrosamente chegar ao balcão, percebi que estava no meio de uma briga entre dois boyzinhos! Nossa, se tem uma coisa que eu odeio é briga. Sorte que logo um moço me puxou e tirou da muvuca. Um desconhecido anjinho no meio de um lugar hostil.
Decidi voltar para perto do camarote. Eles que teriam de levar o pacote até a nossa mesa anyway. No caminho, pedi para um segurança levar o bolo da Paola, para a chapeleira levar o bolo da Paola, para o meu primo achar o bolo da Paola e, finalmente, encontrei a moça que nos atendia e supliquei pelo bolo da Paola. “E não se esqueça das velinhas”, recomendei.
Cheguei ao nosso cantinho sã, salva e com o mesmo copo de uísque nas mãos. Havia virado água gelada com essência de scotch. Quando eu vejo, a garçonete vinha com uma caixa. Lembrei vagamente que eu trouxe um pacote embrulhado. Quando ela abriu, tinha um chocolate branco que não era nem de longe a cobertura de brigadeiro que eu havia levado. A tchurma toda tentando desesperadamente esconder da Paola o que ocorria ao lado dela.
Um dos garçons inclusive perguntou para a aniversariante se era ali que estavam esperando um bolo! Puxei ele e quase gritei: “O bolo é surpresa!”.
Esperamos, dançamos, esperamos, mais uma dose, e nada...
Não agüentei e saí, novamente, à procura do bolo. Parecia uma selva que eu tinha de atravessar, com gente se amarrotando, se cumprimentando, querendo conversar... Sim, porque as pessoas estão curtindo a noite, não em uma missão!
Pisei firme no meu propósito e fui procurar outro garçom para saber o motivo da demora. Temi que eles tivessem dado o bolo a outro aniversariante... Achei que minha carreira de organizadora acabaria ali. Quando dei de cara com o dono do bar, pedi, em tom de desespero, para que ele resolvesse o problema. Incrível: em 10 minutos o garçom apareceu com o bolo do jeitinho que eu lembrava! Aflita, perguntei das velinhas. “Estão no bolso, fica fria”, tentou me acalmar o moço. Pazinha nem percebeu, curtindo sua mocidade como ela merece. Quando ela se virou, os 35 anos dela estavam ali, acesos, mais reluzes que a iluminação do lugar.
Agradar quem se ama é isso: o prazer do brilho no olhar da pessoa, o abraço sincero, o obrigado do fuuuuundo do coração, o “não acreditooooo!!!”... Melhor ainda é contar todas as peripécias que ela nem imaginou que estavam acontecendo. E a Pá curte.
Mas, dá próxima vez, sinceramente, levo o bolo em um isopor e deixo embaixo da mesa!
Eu me acomodei na situação de não-organizadora-de-nada porque a Paola sempre assumiu, com distinção, as festas desses últimos 20 anos. Ela pensa em tudo e ainda lembra de tirar as fotos que vai nos felicitar depois. Mas sexta-feira foi o dia dela, do aniversário dela, que há tempos na comemorávamos properly.
Pazinha programou uma parte: reservou o melhor espaço em uma casa noturna que ia receber uma boa banda, chamou todos os queridos e levou docinhos artesanais para nos deliciar. Mas Laura, Karina e eu resolvemos assumir o papel da aniversariante e comprovar a tese dela: não há aniversário sem bexiga e bolo. A semana toda foi de troca de telefonemas entre las tres amigas... Mas a saga começou mesmo na sexta.
16h30 fui comprar as bexigas. Optei pelas brancas com bolinhas pretas. Achei tão elegante quanto a aniversariante de 35 anos. Na seqüência, desci para buscar o bolo e já deixá-lo na geladeira da casa noturna, conversando ao celular com a Karina, que tinha um lugar para encher os balões para a gente. Eu não levo nenhum jeito para a coisa...
Fui ao bifê da tia da Ká e saí de lá com o carro lotado de bexigas rumo ao local da festa. Eram apenas cinco quadras, mas aquele pequeno trajeto foi uma doideira. Primeiro porque não dá para ver muita coisa com um monte de bolas brancas comprimidas nos vidros. Depois, um balão estourou e eu quase bati o carro de susto! Aí, vi um carro igualzinho ao da Paola e queria morrer... Sentimento de quem está fazendo uma coisa escondido...
Ufa! Cheguei ao local e protagonizei uma cena de filme francês: desci do carro com um cordão cheio de bexigas amarradas voando nos céus de Bauru. Atravessei a rua saltitante!
Tive sorte: a banda estava “passando o som”... Fiquei lá, dançando U2, a Ká chegou e me ajudou a prender as bexigas. Mas, entre uma regulagem e outra do amplificador, algumas estouraram. Voltei para casa com medo de que, mais tarde, não tivesse nenhuma sobrevivente. Pior: ter apenas duas, como se fosse final de festa!
Felizmente, deu tudo mais do que certo. A Pá, quando chegou, não acreditou que era para ela. Ficou super feliz e nem ligou que os balões petit-pois se tornaram, quando cheios, bexigas com estampa de “dálmata”. Foi o comentário da noite, já que nossa amiga não é fã de cachorros.
Aí começou a saga do bolo. Como sei da minha limitação e falta de experiência no assunto, avisei Dani Guedes, Giuliano e Giovana para me lembrarem de pedir o bolo na hora certa que, obviamente, eu não saberia qual era.
Mas o momento chegou quando Biba e Pará, queridíssimos, precisaram ir embora. Pronto: baixou a party planner em mim e saí para buscar o bolo. Não havia garçom à vista e a casa estava lotada... Entre muitas lutas corporais, alguns pisões no pé, avistei o bar. Assim que consegui milagrosamente chegar ao balcão, percebi que estava no meio de uma briga entre dois boyzinhos! Nossa, se tem uma coisa que eu odeio é briga. Sorte que logo um moço me puxou e tirou da muvuca. Um desconhecido anjinho no meio de um lugar hostil.
Decidi voltar para perto do camarote. Eles que teriam de levar o pacote até a nossa mesa anyway. No caminho, pedi para um segurança levar o bolo da Paola, para a chapeleira levar o bolo da Paola, para o meu primo achar o bolo da Paola e, finalmente, encontrei a moça que nos atendia e supliquei pelo bolo da Paola. “E não se esqueça das velinhas”, recomendei.
Cheguei ao nosso cantinho sã, salva e com o mesmo copo de uísque nas mãos. Havia virado água gelada com essência de scotch. Quando eu vejo, a garçonete vinha com uma caixa. Lembrei vagamente que eu trouxe um pacote embrulhado. Quando ela abriu, tinha um chocolate branco que não era nem de longe a cobertura de brigadeiro que eu havia levado. A tchurma toda tentando desesperadamente esconder da Paola o que ocorria ao lado dela.
Um dos garçons inclusive perguntou para a aniversariante se era ali que estavam esperando um bolo! Puxei ele e quase gritei: “O bolo é surpresa!”.
Esperamos, dançamos, esperamos, mais uma dose, e nada...
Não agüentei e saí, novamente, à procura do bolo. Parecia uma selva que eu tinha de atravessar, com gente se amarrotando, se cumprimentando, querendo conversar... Sim, porque as pessoas estão curtindo a noite, não em uma missão!
Pisei firme no meu propósito e fui procurar outro garçom para saber o motivo da demora. Temi que eles tivessem dado o bolo a outro aniversariante... Achei que minha carreira de organizadora acabaria ali. Quando dei de cara com o dono do bar, pedi, em tom de desespero, para que ele resolvesse o problema. Incrível: em 10 minutos o garçom apareceu com o bolo do jeitinho que eu lembrava! Aflita, perguntei das velinhas. “Estão no bolso, fica fria”, tentou me acalmar o moço. Pazinha nem percebeu, curtindo sua mocidade como ela merece. Quando ela se virou, os 35 anos dela estavam ali, acesos, mais reluzes que a iluminação do lugar.
Agradar quem se ama é isso: o prazer do brilho no olhar da pessoa, o abraço sincero, o obrigado do fuuuuundo do coração, o “não acreditooooo!!!”... Melhor ainda é contar todas as peripécias que ela nem imaginou que estavam acontecendo. E a Pá curte.
Mas, dá próxima vez, sinceramente, levo o bolo em um isopor e deixo embaixo da mesa!
Dias sem escrever
Primeiro, Laila e Mirelle em Londrina com uma virose absurda. Minha mãe vai para lá ajudar. Assim que ela vai, Mileninha passa mal. Eu contorno a situação, ela melhora e minha mãe volta para Bauru. Assim que ela chega, minha cachorra começa a passar mal. Nós duas no veterinário em pleno sábado à noite. No domingo, assim que eu achei que poderia respirar e ver minha prima linda que estava aqui, veio o pior: minha mãe, que pegou a tal virose, começa a passar mal como eu nunca vi. Norma é uma rocha, mas ficou frágil com as horas e horas de dor que passou. E eu só pedia para passar... Doeu ver minha mãe daquele jeito e meu pai e minha irmãzinha tão desesperados.
Ah, last but not least, a bateria do meu celular decidiu parar de vez no meio do turbilhão.
Felizmente, estão todos quase 100%.
Só eu que fiquei triste por não ter visto a Ká, cansada porque não tenho dormido, e desligada por estar sem o mobile.
Ah, last but not least, a bateria do meu celular decidiu parar de vez no meio do turbilhão.
Felizmente, estão todos quase 100%.
Só eu que fiquei triste por não ter visto a Ká, cansada porque não tenho dormido, e desligada por estar sem o mobile.
segunda-feira, 12 de janeiro de 2009
E agora, Mané?
Eu, mais uma vez atacando de paródia.
Desta vez, com o mineiro Drummond...
Inspirou minhas dúvidas existenciais pós-tese.
Desta vez, com o mineiro Drummond...
Inspirou minhas dúvidas existenciais pós-tese.
E agora, Mané?
A tese acabou,
a bolsa apagou,
o campus sumiu,
a orientadora esfriou,
e agora, Mané?
e agora, você?
você que é sem título,
que pesquisa os outros,
você que faz citações,
que analisa, defende?
e agora, Mané?
Está sem homem,
está sem emprego,
está sem amor,
já pode beber,
já pode fumar,
cuspir também pode,
a noite esquentou,
o dia não passa,
o bonde não passa,
o riso não passa
não veio a distinção
e tudo começou
e tudo parou
e tudo voou,
e agora, Mané?
E agora, Mané?
Sua crítica palavra,
seu instante de lebre,
sua sede e desgosto,
sua qualificação,
sua pasta de mofo,
seu acervo de livro,
sua tentativa de coerência,
seu limite - e agora?
Com a tese na mão
quer abrir um concurso,
não existe concurso;
quer viver no mar,
mas o mar molhou;
quer ir para o Rio,
Janeiro não há mais.
Mané, e agora?
Se você pesquisasse,
se você concentrasse,
se você publicasse
um artigo acadêmico,
se você quisesse,
se você pudesse,
se você conseguisse...
Mas você não consegue,
você é mole, Mané!
Sozinho na estrada
qual rolling stone,
sem teologia,
sem destino nem rua
para se acomodar,
sem uma universidade
que dê a galope,
você caminha, mané!
Mané, para onde?
A tese acabou,
a bolsa apagou,
o campus sumiu,
a orientadora esfriou,
e agora, Mané?
e agora, você?
você que é sem título,
que pesquisa os outros,
você que faz citações,
que analisa, defende?
e agora, Mané?
Está sem homem,
está sem emprego,
está sem amor,
já pode beber,
já pode fumar,
cuspir também pode,
a noite esquentou,
o dia não passa,
o bonde não passa,
o riso não passa
não veio a distinção
e tudo começou
e tudo parou
e tudo voou,
e agora, Mané?
E agora, Mané?
Sua crítica palavra,
seu instante de lebre,
sua sede e desgosto,
sua qualificação,
sua pasta de mofo,
seu acervo de livro,
sua tentativa de coerência,
seu limite - e agora?
Com a tese na mão
quer abrir um concurso,
não existe concurso;
quer viver no mar,
mas o mar molhou;
quer ir para o Rio,
Janeiro não há mais.
Mané, e agora?
Se você pesquisasse,
se você concentrasse,
se você publicasse
um artigo acadêmico,
se você quisesse,
se você pudesse,
se você conseguisse...
Mas você não consegue,
você é mole, Mané!
Sozinho na estrada
qual rolling stone,
sem teologia,
sem destino nem rua
para se acomodar,
sem uma universidade
que dê a galope,
você caminha, mané!
Mané, para onde?
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